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Mudança de hora para horário de verão. Isto afeta as nossas crianças?

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Muito se tem falado nos últimos tempos sobre a questão da mudança de hora e o impacto que isso tem na nossa saúde. De facto, nós somos seres de ritmo e este tipo de mudanças têm impacto sim no nosso sono e, consequentemente, na nossa saúde. 

Qual o melhor horário para nós? O de verão ou o de inverno?

Apesar de muitas pessoas adorarem o horário de verão, porque saem do trabalho e ainda têm dia para aproveitar, a verdade é que o horário de inverno é o mais aproximado do horário solar e, por isso, mais benéfico em termos de ritmo e saúde do sono para nós. 

Mas, além desta escolha entre horário de verão e horário de inverno, o que muito se tem debatido na comunidade científica é mesmo o quão prejudicial é a mudança duas vezes por ano ao longo dos anos. 

Então, quais são os problemas do horário de verão?

A privação de sono é um problema de saúde pública. Os números de privação de sono em Portugal são alarmantes e essa privação começa muito cedo, na infância. A privação de sono na infância adquire contornos especialmente preocupantes a partir dos 3 anos. A maior parte das crianças abandona a sesta precocemente. Quando as crianças deixam a sesta, a maior parte dos adultos assume que a criança passa a ter a mesma necessidade de horas de sono do adulto e isso não é de todo verdade. 

Em Portugal, as pessoas trabalham até tarde e as crianças passam demasiadas horas na escola. Verifica-se assim uma tendência para atrasar a hora de deitar porque ainda há luz e ainda é de dia. Então, se mesmo em horário de inverno, já vivemos até muito tarde, em horário de verão este problema agrava-se. Ou seja, começamos a deitar as crianças mais tarde mas mantemos a hora de hora de acordar. Resultado? Menos horas de sono. 

E se assumíssemos sempre o horário de verão, isso já era bom?

A cronobiologia, a ciência que estuda o ritmo, diz-nos que não. Se assumíssemos o horário de verão todo o ano, durante alguns meses (outubro, novembro e dezembro) iria amanhecer pelas 9h. A esta hora os nossos filhos já estão na escola e nós já estamos a trabalhar. O nosso cérebro precisa de exposição à luz natural para despertar e iniciar o dia. Iniciar o nosso despertar durante a noite não é benéfico para o nosso ritmo. Além disso, como o anoitecer seria mais tarde, teríamos tendência a deitar também mais tarde e isso agravaria o problema da privação de sono. Nesse sentido, as principais sociedades científicas de sono defendem o horário de inverno. 

De que forma os bebés e crianças em idade pré escolar sentem esta mudança? E devo fazer alguma coisa para os adaptar ao novo horário?

Há pessoas que se ressentem mais da mudança da hora do que outras, isto vale para as nossas crianças. 

Em média, demoramos entre 4 a 6 dias para nos adaptarmos totalmente à mudança de 1 hora no nosso relógio. 

Numa fase inicial poderão sentir que a criança: 

  • Resiste mais na hora de ir dormir. Isto pode acontecer por dois motivos, primeiro porque na prática estamos a deitar mais cedo que o habitual, segundo porque, muitas vezes, ainda não está de noite; 
  • Mais resistência em acordar de manhã ou atraso natural da hora de acordar. Quando falamos de uma criança que está em casa isto não é problemático mas se é uma criança que tem obrigatoriedade de se levantar a uma hora definida pode ser um pouco mais difícil 
  • Maio irritabilidade e instabilidade ao final do dia 
  • Aumento na duração da(s) sestas, na tentativa de compensar o menor tempo noturno 

Quanto aos cuidados a ter, na prática a maior parte dos bebés vai adaptar-se sem precisarmos fazer grandes mudanças. Devemos é ter em atenção:

  • garantir que não estamos a aumentar o dia em detrimento da noite, ou seja, que não estou a deitar o meu bebé muito mais tarde porque ainda é dia. Como já referi acima, isto vai reduzir o número de horas de sono; 
  • Em crianças com mais de 18 meses que façam apenas 1 sesta, pode ser importante perceber se a criança está a aumentar muito o tempo de sesta para compensar. Se sim e, simultaneamente tivermos muita resistência ao sono noturno, pode ser necessário acordar a criança da sesta. Vou dar um exemplo prático: uma criança que habitualmente faça uma sesta de 1h30 e, após mudança de hora, começa a fazer sestas de 2h30/3h iniciando o sono noturno muito mais tarde. Aqui devemos começar a aumentar a luminosidade ao fim de 1h30/2h de sesta, acordar a criança com delicadeza para que consiga regularizar o ritmo noturno novamente. 
  • Ter paciência e colinho para dar aos bebés que vão apresentar maior irritabilidade devido a estas alterações. 

Andreia Neves

Cardiopneumologista Especialista Em Sono Centro Hospitalar de São João, EPE | Investigadora | Responsável pela consulta de Higiene do sono pediátrica Gimnográvida e Centro de Pré e Pós Parto

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