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Óleos essenciais na área do sono- o que diz a ciência

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Óleos Essenciais na área do sono

Nos últimos meses tenho recebido infinitos pedidos de parecer sobre a utilização de óleos essenciais para ajudar os bebés a dormir.
Não tinha nenhum conhecimento na área e, por isso, acabava por não emitir qualquer opinião. Até que comecei a receber kits de presente das marcas para testar e os muitos pais que vinham à consulta já estavam a utilizar. Senti necessidade de estudar um pouco o tema para emitir uma opinião com responsabilidade.

Quero desde já declarar total ausência de conflito de interesses e, para que pudesse pesquisar e escrever de forma livre e isenta, não aceitei nenhum dos kits de óleos essenciais que me foi oferecido.

O sono é uma das áreas mais sensíveis numa família, particularmente quando há dificuldades. É uma das áreas que mais pode afetar a dinâmica e o bom funcionamento de uma família. Nesse sentido, tudo o que sejam soluções oferecidas para resolver esta questão adquirem imediatamente uma dimensão enorme em termos de marketing.

Não pesquisei em livros de aromoterapia, nem pesquisei junto de aromoterapeutas porque isso seria condicionar o meu estudo à partida e não é, de todo, uma área que eu domine. Fiz uma pesquisa numa das melhores bases de dados científicas, a Pubmed, e vou então partilhar convosco o que encontrei ao longo das últimas semanas.

Em algumas áreas, os OE apresentam resultados positivos, inclusive existem alguns produtos no mercado que utilizam OE para descongestionamento nasal, por exemplo. No entanto, se lerem a bula deste género de produtos, mesmo os que são de utilização tópica (na pele), não são recomendados em crianças com menos de 2 anos.
Quanto à inalação de óleos em difusores, dentro do que pesquisei, parece haver um nível de segurança confortável. No entanto, os estudos em crianças, especialmente em bebés, são mesmo muito escassos.

No que diz respeito ao sono, a maior parte das indicações que encontrei, estão relacionadas com o relaxamento e, consequentemente, a indução de sono e “melhor qualidade de sono” (melhor qualidade de sono está entre aspas porque é um conceito subjectivo que não pode ser avaliado. O que é avaliado é eficiência do sono e este é um parâmetro que só pode ser aferido em laboratório de sono através de polissonografia).

Vamos ver então o que dizem os estudos relativamente à utilização dos OE no sono:

Relativamente ao tempo para adormecer, indução de relaxamento e diminuição da ansiedade não existem estudos válidos realizados em crianças. Existem alguns artigos publicados que apresentam alguns casos concretos, mas estes não são suficientes para extrapolar para toda a população. O que encontrei com maior robustez na literatura foi feito em adultos. O resultado de uma revisão sistemática que encontrei foi que: a aromoterapia parece ter efeitos positivos na redução da ansiedade e no relaxamento mas são necessários mais estudos, com melhor metodologia, para comprovar esta eficácia e para estudar os mecanismos biológicos pelos quais podemos descrever este efeito. A mesma revisão sistemática alerta para a necessidade de se criar regulamentação e normas de utilização uniformizadas dos OE.
(rev. Sistemática: “A systematic review of the effect of inhaled essential oils on sleep.” Lillehei AS, Halcon LL.)

Relativamente à sua utilização em perturbações do sono, como despertares noturnos e insónias, uma outra revisão sistemática refere que a utilização de OE pode ser considerada em adultos com perturbações do sono, no entanto, como complemento de uma boa higiene do sono e terapêutica farmacológica se for o caso.
Refere ainda que os estudos existentes na área apresentam falhas metodológicas e que são necessários estudos com amostras mais robustas.
(rev. Sistemática: “The effects of aromatherapy on sleep improvement: a systematic literature review and meta-analysis.” Hwang E, Shin S.).

Por isso, quero reforçar que não existem estudos científicos válidos que demonstrem eficácia da utilização de óleos essenciais em crianças com dificuldades de sono e que a sua utilização deve ser olhada de um modo responsável. Sabemos perfeitamente que a ciência está em constante evolução e que o não tem evidência hoje poderá ter amanhã. Mas neste momento, a evidência é esta.

Além disso, a maior parte dos problemas de sono nas crianças estão relacionados com má higiene de sono, problemas comportamentais ou, no caso de patologia do sono, com questões fisiológicas e todos estes fatores têm tratamentos e abordagens eficazes que não devem ser descuidados em função dos óleos essenciais.

Não quero deixar a ideia que sou contra ou a favor, até porque, como expliquei acima, não tinha qualquer qualquer conhecimento sobre OE. Enquanto profissional de saúde e investigadora na área do sono, limitei me a pesquisar evidência científica para informar.
Se os pais querem utilizar os óleos essenciais, apelo à utilização responsável, segura e informada.

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