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Uma palavra às mães que se sentem tristes…

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Há mulheres que acabaram de ser mães e não estão felizes. Há mulheres que não sentiram que o nascimento do seu bebé tenha sido um momento mágico. Há mulheres que estão tristes e que precisam que as pessoas à sua volta acolham a sua tristeza.

Este é um assunto verdadeiramente tabu. As mães não podem dizer estas coisas, não podem dizer que não se sentem felizes, não podem dizer que nada está a ser como esperavam porque isso “fica mal”.

Recebo dezenas de famílias na consulta de sono e, nos primeiros momentos, o meu foco é a mãe. Por inúmeras razões, a mãe pode não se sentir feliz, porque a gravidez não foi feliz, porque o parto não foi nada do que esperava, porque o pós parto está a ser difícil, porque a mulher atravessa uma fase menos boa, enfim, por razões infinitas. Mas aquilo que lhe dizem, com a melhor das intenções, eu sei, é que tem um bebé saudável, que correu tudo bem e, por isso, não tem motivos para estar triste.

Mas depois há sempre um elemento da família que diz “que o bebé sente tudo o que a mãe sente e que ela não pode estar assim.” Ora esta afirmação, que tem muito de verdade e, por isso, é que estou a escrever sobre isto, tráz consigo um peso e uma responsabilidade infinita para a mãe que além de triste se sente culpada.

Eu gostava que se acolhesse a tristeza destas mães. Que se desse o direito a estas mulheres de estarem tristes e que as tocassem com amor e não com culpas. Gostava que estas mães fossem tratadas como rainhas e que recebessem todo o mimo e o amor do mundo. Gostava que alguém lhes dissesse que podem chorar, que podem estar tristes e que não são obrigadas a fingir que estão bem. Em vez de lhes dizermos “olha que o bebé sente tudo o que tu sentes” vamos mostrar-lhe que a mãe e o bebé têm uma relação simbiótica e que se eu ajudar esta mãe, se eu a acolher nos seus sentimentos, sejam eles quais forem, eu estou a ajudar o bebé.

Para muitas mulheres o primeiro contacto com o bebé é um momento mágico, mas para outras não é e é preciso falar disto abertamente. Muitas vezes porque não houve nada de mágico no parto, muitas vezes porque não houve namoro. Sim, as mães e os bebés precisam muito namorar, precisam estar coladinhos, precisam conhecer-se desta nova forma. Nesta era dos números e das quantificações este namoro fica esquecido.

E porque escrevo eu sobre isto, o que terá isto a ver com o sono. Aparentemente nada mas na realidade tudo. Ver o bebé através da mãe, olhar para a família, perceber o porquê das dificuldades ajuda-me tanto a encontrar um caminho para as resolver. Conheci no meu percurso académico, um pediatra francês muito direcionado para as doenças de sono, que na primeira consulta não via o bebé, não perguntava nada sobre o bebé. Só se ocupava da mãe, só falava com ela e sobre ela. Naquela altura, com vinte e pouquinhos anos, não percebia bem. Hoje lembro-me dele todos os dias.

A todas as mães que se sentem tristes um abraço com todo o meu coração.

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