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Recomendações para as sestas – Revisão das orientações internacionais

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Há meses que andava com vontade de escrever este artigo. É uma das questões que mais trabalho com as famílias no âmbito da consulta de sono infantil e, na verdade, penso que seja um dos problemas mais frequentes e que mais prejudicam o sono noturno – as sestas.

As sestas são fundamentais e fazem parte da fisiologia do sono da criança. Desengane-se quem acredita que “dormindo menos de dia, dormirá melhor de noite”, o efeito é exatamente o oposto. Quando menos um bebé dormir de dia, pior dormirá durante a noite.

A Academia Americana de Medicina do Sono (AASM) publicou um consenso em 2016 sobre o número de horas de sono necessárias em cada faixa etária, vejamos:

  • Lactentes entre os 4 e os 12 meses: 12 a 16 horas por cada 24 horas
  • Crianças entre os 1 e 2 anos: 11 a 14 horas por cada 24 horas
  • Crianças entre os 3 e os 5 anos: 12 a 16 horas por cada 24 horas
  • Crianças entre os 6 e 12 anos: 9 a 12 horas por cada 24 horas

Como deve reparar, a AASM não refere o número de horas indicadas para bebés antes dos 4 meses, precisamente pelo motivo que tenho vindo a explicar em artigos anteriores, até esta fase verifica-se uma ampla variação dos padrões de normalidade, a área do cérebro responsável pela regulação do ritmo ainda não está formada, pelo que não é necessário estabelecer rotinas nesta fase.

 

Nos primeiros meses de vida, as sestas são geralmente mais curtas e mais frequentes, à medida que o bebé vai crescendo as sestas vão diminuindo em número e aumentado em tempo. Por volta dos 6 meses a maior parte dos lactentes faz entre 3 e 4 sestas, quando se aproxima o ano de idade a tendência é para abandonar uma das sestas.

Entre os 15 e os 30 meses as crianças passam a fazer um sono bifásico, ou seja, uma sesta durante o dia e o sono noturno.

A sesta é recomendada pelas principais entidades internacionais na área do sono até aos 5 anos de idade. A verdade é que em Portugal se verifica o abandono precoce da sesta e esta é uma questão importante a ser debatida.

Um estudo recente (Sílvia FG et al) demonstrou que aos 3 anos 68% das crianças portuguesas fazem a sesta mas este número cai para os 28,9% aos 4 anos de idade.

Esta questão adquire uma dimensão mais preocupante se avaliarmos as crianças que frequentam o ensino pré escolar público onde a sesta não é permitida ou encorajada a partir dos 3 anos.

 

Mas porquê que a sesta é tão importante?

Todos sabemos que dormir é fundamental. Sobrevivemos mais tempo sem comer do que sem dormir. É durante o sono que decorrem uma série de funções cerebrais importantes como a consolidação da memória e aprendizagem, produção de hormonas, desenvolvimento das redes e circuitos de neurónios, entre tantas funções.

A evidência científica atual mostra que a sesta tem efeitos muito positivos na memória que envolve a capacidade de abstração, este tipo de memória é fundamental, particularmente nos lactentes, no desenvolvimento da linguagem, da capacidade motora, da aprendizagem e do desenvolvimento cognitivo.

As crianças precisam de dormir para aprender!

 

Quando é que sabemos que o nosso filho já não precisa de sesta?

A retirada da sesta deve ser bem avaliada. Da mesma forma que todos os adultos têm o seu perfil biológico de sono, as crianças também e nem todas as crianças abandonam a sesta ao mesmo tempo, nem todas as crianças necessitam do mesmo número de horas de sono.

São vários os aspetos que devem ser avaliados, mas os principais:

  • A criança que faz a sesta apresenta muita resistência ao sono noturno (demora mais de 40 minutos a adormecer)
  • O sono noturno está pior com o despertar matinal muito mais cedo
  • A criança tem muita dificuldade em iniciar o sono na sesta
  • A criança tem a capacidade de estar acordada o dia todo sem alterações de humor e com boa atividade física e mental

São vários os fatores a avaliar antes da retirada da sesta mas o mais importante é observar a criança e perceber qual é a sua necessidade.

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